As motos do Mundial no ICGP
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A YAMAHA TZ COM MOTOR DE 3 CILINDROS

Texto: Luiz Alberto Pandini

Um projeto de curta duração, mas tão marcante que se tornou um dos mitos da história do Mundial de Motovelocidade. A Yamaha YSK3, também chamada de “Sankito”, correu em apenas uma temporada: a da 350, em 1977. E possibilitou a Takazumi Katayama ser o primeiro (e, durante muito tempo, o único) piloto japonês a conquistar um título mundial na Motovelocidade.

A partir de 1968, a FIM limitou o número de cilindros nos motores para o Campeonato Mundial, a fim de conter a escalada de custos. Os motores das motos da categoria 50 cm³ (substituída pela 80 cm³ em 1984) deveriam ter obrigatoriamente um cilindro; os das categorias 125 e 250, máximo de dois; e os das categorias 350 e 500 (estes, também adotados na categoria Sidecar), máximo de quatro. E foi para um sidecar que nasceu o motor TZ com 3 cilindros. O autor da ideia foi o criativo piloto suíço Rudi Kurth.

Para a temporada de 1976, Kurth projetou um motor 500 de 3 cilindros baseado no de dois cilindros da Yamaha TZ 350 (note que, mesmo com dois cilindros a menos que o máximo permitido, a TZ era a moto mais competitiva da época). A ideia era chegar a um motor menor e mais leve que os “TZ 500” com quatro cilindros criados por outros preparadores, que aproveitavam o cabeçote da TZ 750 e os cilindros da TZ 250. Rudi Kurth usou o 500 de 3 cilindros na temporada de 1976, tendo um quinto lugar como melhor resultado.

Na Holanda, os preparadores Ferry Brower e Jerry van der Heiden adotaram a invenção de Kurt e colocaram o 500 tricilíndrico na Yamaha solo do piloto Kees van der Kruys, participante do campeonato holandês. Como no sidecar, os resultados foram discretos. Mas Minoru Tanaka, chefe do departamento de competições da Yamaha Holanda, anteviu a possibilidade de fazer um 3 cilindros para a categoria 350, aproveitando os cilindros da TZ 250. Seu objetivo era dar a Takazumi Katayama uma moto competitiva na temporada de 1977 e trazer o título da 350 de volta para a Yamaha – em 1976, a campeã foi a Harley Davidson, com o italiano Walter Villa. A Yamoto, importadora Yamaha na Itália, se ofereceu para bancar parte do custo do projeto, desde que uma segunda máquina fosse entregue ao multicampeão Giacomo Agostini.

O projeto da Yamaha Holanda teve colaboração da matriz, que enviou cabeçotes individuais da TR2 (antecessora da TZ) para a construção do novo motor. Kent Andersson, campeão da 125 em 1973 e 1974, era nessa altura consultor da Yamaha Holanda e também se envolveu no projeto do motor de 3 cilindros, assim como o próprio Rudi Kurth. O trabalho do “comitê” resultou no motor chamado de “Sankito” – em japonês, “san” é o número 3 e “kito” significa “cilindro”.

A primeira unidade do Sankito foi montada em um chassi TZ normal. A moto era perfeitamente identificável pela protuberância do terceiro cilindro no lado esquerdo. Os primeiros testes mostraram que esse posicionamento deixava a ignição bastante vulnerável nas curvas. Por isso, foram desenvolvidos chassis Spondon e Nico Bakker, nos quais o motor foi alojado em posição central. A denominação “Sankito” passou a ser usada, e é assim até hoje, para a moto completa, independentemente do quadro no qual o motor fosse montado. Praticamente ninguém chama a Sankito pelo nome oficial: Yamaha YSK3.

Por suas características, em especial os 15 HP extras de potência, a Sankito era ideal para circuitos de alta velocidade, apesar do peso adicional em relação às demais TZ. E a primeira corrida da moto, em Hockenheim, na Alemanha, comprovou isso: Katayama venceu e Agostini, após se atrasar muito na largada, terminou em segundo. Agostini fez poucas corridas na 350 em 1977, mas Katayama disputou a temporada completa e venceu também os GPs da França, Suécia e Finlândia, obtendo ainda uma vitória na Iugoslávia (cronologicamente, a terceira do ano) com uma TZ “normal”, com motor de 2 cilindros. Foi campeão com grande vantagem sobre Tom Herron, Jon Ekerold e Michel Rougerie, aos quais restou lutar pelo vice-campeonato com suas TZs bicilíndricas.

O título de Katayama foi o único da Yamaha nas cinco categorias solo nas temporadas de 1976 e 1977. Mesmo assim, a Yamaha Japão não viu com bons olhos a “subversão” do conceito da TZ, de ser uma moto tão próxima quanto possível das Yamaha de rua. Ainda no final de 1977, a matriz avisou que não daria mais qualquer apoio ao projeto da Sankito, alegando que a moto fugia do propósito de relacionar as TZ com a futura RD 350LC, que seria lançada em 1980.

As Sankito ainda correram na Venezuela, onde havia um campeonato forte da 350. Depois, as motos e componentes foram enviados para a Queens University of Belfast, na Irlanda do Norte, onde ficaram à disposição dos alunos para aulas de engenharia. Anos depois, o piloto Ray McCullough colocou um dos motores em um chassi Seeley e participou de campeonatos na Irlanda. Essa moto, hoje, está exposta no saguão principal da QUB. Outra foi recentemente colocada à venda na Bonhams, uma casa britânica de leilões. E um exemplar da Sankito disputa o ICGP com o piloto britânico Peter Howarth. É isso mesmo: quem for a Goiânia no dia 23 de outubro para assistir à etapa final do ICGP 2016 terá o raro privilégio de ver (e ouvir!) uma Sankito em ação.

Takazumi Katayama em 1977: campeão mundial com cinco vitórias, quatro delas ao guidão da Sankito.
O motor da Sankito: 3 cilindros em posição transversal.
Katayama e a Sankito em 1977.
Giacomo Agostini (à esquerda) conversa com Peter Howarth. O italiano correu com a moto no Mundial de 1977, enquanto o inglês a pilota atualmente no ICGP.
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Takazumi Katayama em 1977: campeão mundial com cinco vitórias, quatro delas ao guidão da Sankito.